Uma coincidência muito grande aconteceu agora a pouco. Eu já tinha aberto o sistema de blogging e já tinha escrito uma linha quando minha esposa chamou para jantar. Temos a mania de comer na frente da TV e eis que passeando pelos canais vi um programa interessante no canal GNT – Deus: um delírio. E paramos para assistir. Descobri agora no youtube que o documentário na realidade é um livro e que o autor é famoso, chamado Richard Dawkins. Entrevista sobre o livro aqui.
No documentário o Richard (já estou até íntimo), tenta entender o porque das pessoas terem essa fé arraigada e muitas vezes, adultos esclarecidos voltam a ter certezas infantis. Eu tenho até uma comparação para isso.
Lembram no primário quando começamos a aprender os números naturais, depois os racionais, passando pelos inteiros? Vocês imaginavam que existiam os números reais? Olhem bem o nome do conjunto: Números Reais. Pra quem não lembra, esse último conjunto engloba os números menores que zero.
Era possível, entendermos naquele instante a existência dos números reais? Talvez sim, mas lembro que fiquei bastante entusiasmado quando fui apresentado aos números reais alguns anos depois. Talvez se eu tivesse construído todo o meu modo de viver em torno dos números naturais, meu mundo cairia e eu me sentiria desamparado.
E quando estudei álgebra linear na faculdade também aprendi que as operações matemáticas não são “constantes”, ou seja, que 1 + 1 nem sempre é 2. Depende da dimensão em que a operação é feita. Outro paradigma quebrado!
O mesmo pode acontecer hoje com a crença que exista algum deus. Porém, temos uma desvantagem muito grande. Por nascermos e morrermos, e termos a certeza desse último, nosso cérebro precisa de um motivo para viver, ou seja, nós somos programados para acreditar que temos um sentido na vida. É como se estivéssemos desesperadamente atrás de algo para nos agarrarmos, que possamos depositar toda a nossa solidão existencial. É aí que entra Deus. Nós não somos programados para acreditarmos que só existem os números naturais, ou que é impossível termos os números negativos. Assim, fica bem mais fácil aceitar a informação nova que “destrói” o conceito anterior, no caso dos números.
Algumas pessoas me perguntam: “Briglia, porque você implica tanto com religião?” Eu tenho uma resposta: a religião, o fanatismo, tem crescido assustadoramente e eles estão atacando a Ciência! Mesmo com milhares de provas contundentes, estudos e anos de pesquisa, as pessoas voltam à acreditar somente no “conjunto dos números naturais” e esquecem que existe muito mais coisa por trás disso! Há algum tempo atrás, li que a Justiça americana de uma cidadezinha proibiu os professores de ensinarem a teoria da evolução nas escolas. Uma teoria que já existe há anos e está comprovada atrás de montanhas de evidências e até experimentos.
Nós acreditamos em um deus, aprendemos rituais, fazemos o sinal-da-cruz, falamos amém porque fomos condicionados à isso desde o berço. Após 20, 30 anos de “ensinamentos”, vendo as pessoas que mais confiamos nos dizendo para termos fé, dizendo que um livro é o certo, pouquíssimos têm a coragem ou a pretensão de levantar a cabeça e dizer: Peraí! Me deixa tirar as MINHAS conclusões!
Aqui nesse momento, meu caro amigo cristão, você está pensando: “Mas eu sou mente aberta, não sou um fanático do islã!”, sim você não é, mas você vai passar para o seu filho as suas crenças, as suas certezas e isso o afetará durante toda a vida. Quando temos uma religião e compactuamos com seus rituais, acabamos influenciando ao redor e atingindo as pessoas mais próximas. E se seu filho não conseguir ter o discernimento que você tem? E se ele virar um fanático religioso? A culpa é toda sua.
A Ciência não tenta explicar tudo. A Ciência aceita que existem coisas inexplicáveis no Universo. A religião não. Ela tenta explicar tudo e sem provas. Só porque a Ciência não pode desmentir a existência de deus, não significa que ele exista.
Todos somos ateus quando falamos em fadas, gnomos, monstros, o deus Thor, o deus Tupã ou os deuses gregos, deuses que tiveram seu momento de glória e louvor. Os ateus de hoje em dia só são pessoas que não acreditam em mais um deus.
briglia Críticas, Picuinhas
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